Os pedestres das grandes cidades estão cansados de saber o quão é atabalhoada a vida numa metrópole. Além da pressa ofegante que somada com a poluição, causam níveis de stress altíssimos. A luta diária pela sobrevivência, também nós leva à outros suplícios: transporte público lotado; transito caótico; marginalidade e todas as entorpeças dignas de uma vida comum e civilizada.
Uma série de serviços com a finalidade de oferecer maior conforto ao contribuinte foi criada ao decorrer dos tempos: saneamento básico, educação, saúde, segurança, lazer, entre outros. Mas, como sabemos, poucos desses foram infimamente planejados. O descaso com as ruas e calçadas é um reflexo desse ‘’desleixo’’ (palavra tipicamente brasileira segundo Sergio Buarque de Hollanda); cheias de arapucas, buracos e pisos escorregadios, os passeios públicos mais parecem aventura de vídeo-game repleto de obstáculos.
E nessa pressa contínua, uma parte dos cidadãos é vilipendiada. Com toda a correria das grandes cidades, esquecem dos pedestres que possuem maiores dificuldades para deambular pelas ruas: Deficientes, idosos, mulheres grávidas e crianças e, se não bastasse os buracos, os desníveis e todos os obstáculos enfrentados; comerciantes e motoristas invadem o dito espaço público, dificultando ainda mais a vida dos pedestres. De acordo com a legislação atual, o proprietário do imóvel é responsável pela construção e manutenção de sua respectiva calçada, e o não cumprimento da lei pode levar a multa de até R$ 1000,00 por metro irregular. Para quem estacionar o veículo encima da calçada a multa é de R$ 127,69 reais e cinco pontos na carteira.
Em tempos de eleições é muito importante a população ficar atenta para as propostas de mobilidade e socialização dos candidatos, pois, é um direito de todos ter acesso fácil e sem transtornos. Em outras palavras, o acesso ao qual me refiro, é o acesso à saúde, à educação, ao lazer. Parte daí o princípio básico dos direitos do cidadão. Como alguém que paga impostos sofrivelmente, não tem o direito de usufruir o bem público e, dificilmente consegue visitar os pontos turísticos da própria cidade. Precisamos cobrar melhorias no acesso ao transporte público, em todas as edificações do estado, no acesso aos bancos, na estruturação das calçadas públicas, e claro, maior fiscalização para punir as irregularidades. É um direito de todos e o mínimo de retorno que poderíamos ter com tantos impostos que os governos nos assaltam.
Confira agora os números fornecidos pela Associação Brasileira de Pedestres:
• Há 30.000 quilômetros de calçadas em São Paulo e somente 200 quilômetros foram reformados desde 2005.
• Menos de 10% dos quarteirões são uniformes no tipo de piso, nas dimensões e inclinações.
• Mais da metade dos restaurantes e lojas tem guias rebaixadas ou garagens irregulares, que atrapalham a passagem dos pedestres.
• 100.000 pessoas caem e se machucam nas calçadas da cidade por ano. Os idosos são os mais prejudicados.
• De cada cinco envolvidos em acidentes de trânsito, um é pedestre.
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